"Eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta,
a qual ninguém pode fechar" Ap 3.8
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Primeiro retiro de casais da Igreja Missionária Evangélica Filadélfia
01 maio 2009
 
O primeiro retiro de casais da Igreja Missionária Evangélica Filadélfia ocorreu no final de semana seguido do feriado do dia do trabalho, 1º de maio. O encontro se deu no Hotel Estância Betânia, em Colombo-PR, e o palestrante foi o Reverendo Alexandre Ximenes, vindo exclusivamente para o evento com sua esposa. Carmen, de Recife-PE.

A primeira palestra, realizada na sexta-feira teve como base o texto de Gênesis 2:18. De acordo com o Reverendo, Deus nunca endossou a solidão. Ele criou o homem para relacionamentos, embora a sociedade apregoe hoje a cultura do egoísmo.

Para haver casamento é necessário que haja amor, senão é parceria/sociedade. No Novo testamento, no original grego, há três palavras para amor. Eros - Originalmente criado por Deus e deturpado pelo hedonismo. É a parte consciente do amor relacionado à atração física. Philio - Significa companheirismo, aquele que come do mesmo pão. Por fim, o amor Ágape, que é o amor de Deus, citado no livro de I Coríntios 13.

O Reverendo Ximenes abordou cinco características fundamentais para um bom casamento.

1 - Atenção - É preciso prestar atenção no outro.
2 - Aceitação - Cada um tem a sua própria individualidade e somente quem produz mudança é o Espírito de Deus.
3 - Afeição - Quem não gosta de um cafuné ou afago?
4 - Admiração - Meu cônjuge pode não ser o melhor do mundo, mas é meu!
5 - Atividade - Lazer é um investimento, e não uma despesa.

 
 

Para finalizar o primeiro dia de atividades, o Reverendo endossou que “somente o amor, no sentido amplo e original da palavra é capaz de produzir fidelidade. Somente o amor constrange.”

Por: Gabriela Liebert Marold

 
O amor em prática
01 maio 2009
 


  A segunda palestra do retiro de casais da IMEF aconteceu no sábado pela manhã. Nela, o Reverendo Alexandre Ximenes, de uma forma extremamente pragmática falou aos casais sobre as posturas necessárias para um bom relacionamento conjugal.

Os casamentos são destruídos devido à falta de perdão e à sede de vingança. Conforme uma pesquisa americana foi constatado que 75% das mentes das pessoas vivem somente a lembrança do passado e 20 % vivem a ansiedade do futuro. A Bíblia ensina que o presente é que deve ser vivido.
 

Problemas como investimento de tempo no que não é importante, o diálogo que se finda, os pequenos problemas que geram grandes conflitos, violência verbal e sonhos que não são mais compartilhados podem minar qualquer relação. Para vencer essas situações é necessário que, assim como em um Banco, “depósitos” sejam feitos. Não adianta querer só sacar...

O ser humano é programado para ser negativo, porém para um relacionamento ser sadio, as qualidades precisam ser acentuadas e os defeitos, minimizados.

Como muitos problemas se derivam da falta de comunicação, o reverendo Alexandre abordou a necessidade de se exercer a incrível “arte da escutatória”

• Comunique-se com palavras brandas – Provérbios 15:1;
• Ouça sempre antes de responder – Provérbios 18:13;
• Escolha palavras agradáveis – Provérbios 16:24;
• Escolha palavras oportunas, sábias – Provérbios 25:11;
• Escolha palavras verdadeiras, mas as diga com amor. A mentira ilude, ao passo que a verdade dói, mas cura. A verdade deve sempre ser dita, com amor;
• Seja sempre claro e assuma a responsabilidade pelos erros. O rei Davi foi um exemplo de reconhecimento e arrependimento pelos erros, já o rei Saul transferia a responsabilidade;
• Cuide sempre com as generalizações – Palavras como ‘sempre’ ou ‘nunca’ devem ser usadas com cuidado;
• Olhe nos olhos;
• Nunca interrompa o outro quando ele estiver falando;
• Cuide com os extremos: grosseria e indiferença / grito e gelo;
• Discorde, mas não reprove;
• Saiba que uma pessoa, com Deus, sempre é maioria!

A palestra da manhã de sábado foi muito emocionante. O amor analisado e colocado em prática entusiasmou todos os que estavam presentes no retiro.

Por: Gabriela Liebert Marold

 
Tempo de Recomeçar
01 maio 2009
 
A última palestra do retiro de casais da IMEF abordou o relacionamento entre pais e filhos. Foi, na opinião de algumas pessoas, a que mais emocionou os participantes do evento.

O Reverendo Alexandre Ximenes iniciou a plenária com os seguintes dados:

• Nos últimos 10 anos houve um aumento de 34% do índice de suicídio entre jovens menores de 18 anos.
• Jovens tem se matado inconscientemente devido ao uso abusivo de drogas.
• O mercado pressiona todas as pessoas. O sucesso está atrelado a adquirir coisas materiais.

Porque uma relação tão linda com a de pais e filhos muda com o decorrer dos anos?
 
 

Não há pedagogia que substitua o amor entre os pais. Quando um casal vive bem e, principalmente, se respeita, reflete isso nos filhos.

Existe mais do que nunca a necessidade de limites impostos pelos pais. Por exemplo, quando um pai impõe limites a um filho, na hora há raiva da parte do jovem, mas depois, a leitura emocional do filho é a de que os pais gostam (se importam) com ele. Educar é o ato de repetir e a semente brota quando menos se espera.

Quando é necessário recomeçar? Ainda há tempo?

O tempo é hoje, é o agora. Antes que as feridas sejam aumentadas.

É preciso gostar incondicionalmente. Os filhos sabem que são amados, mas precisam sentir esse amor.
Existe o momento dos pais indicarem o caminho, porém a imposição desmedida se torna uma camisa de força. Devido a isso pode haver controle, mas sem opressão; liderança, sem raiva e limites sem que a criatividade seja minada.

Para finalizar, o reverendo Ximenes ratificou que não adianta tentar entender como Deus faz as coisas. Ele faz e fica feito! Quando chega o dia dEle agir, a situação acontece. O que os pais precisam fazer é saber que o dia do afeto é hoje, e que a hora da entrega é agora.

A palestra terminou com os casais ajoelhados, reiterando a entrega de seus filhos a Deus e à certeza de o amor é insubstituível.

O primeiro retiro foi uma grande experiência para os casais da Igreja Filadélfia. A igreja se responsabilizou pela metade do valor cobrado para que todos os casais pudessem participar. A equipe responsável foi extremamente zelosa em todos os detalhes. O local, a acomodação, lazer e refeições foram excelentes!

A escolha do Reverendo Alexandre Ximenes foi muito feliz, pois ele possui uma sabedoria extrema, grande experiência e muita didática para repassar suas considerações.

Fica, aos membros, a expectativa de que o próximo Encontro de Casais ocorra o mais breve possível.

Por: Gabriela Liebert Marold

 
Tênis X Frescobol
01 maio 2009
 
Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.

Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzsche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: ‘Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: ‘Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice?\' Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar. ’
 
 

Xerazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme O império dos sentidos. Por isso, quando o sexo já estava morto na cama, e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa, conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites. O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fossem música. A música dos sons ou da palavra - é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer. Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: ‘Eu te amo, eu te amo... ’ Barthes advertia: ‘Passada a primeira confissão, ‘eu te amo\' não quer dizer mais nada. ’ É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: ‘Erótica é a alma. ’

O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada - palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra - pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir... E o que errou pede desculpas; e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos...

A bola: são as nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá...

Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Camus anotava no seu diário pequenos fragmentos para os livros que pretendia escrever. Um deles, que se encontra nos Primeiros cadernos, é sobre este jogo de tênis:

‘Cena: o marido, a mulher, a galeria. O primeiro tem valor e gosta de brilhar. A segunda guarda silêncio, mas, com pequenas frases secas, destrói todos os propósitos do caro esposo. Desta forma marca constantemente a sua superioridade. O outro domina-se, mas sofre uma humilhação e é assim que nasce o ódio. Exemplo: com um sorriso: ‘Não se faça mais estúpido do que é, meu amigo\'. A galeria torce e sorri pouco à vontade. Ele cora, aproxima-se dela, beija-lhe a mão suspirando: ‘Tens razão, minha querida\'. A situação está salva e o ódio vai aumentando.’

Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.

Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor... Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim...

Que bom que eles se casaram!..

Texto de Rubem Alves entregue aos participantes do 1º Retiro de Casais da Igreja Missionária Evangélica Filadélfia pelo Reverendo Alexandre Ximenes.

 
 
   
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